Quanto vale a sua empresa – Parte 4 – Final

Encerrando a série “Quanto vale a sua empresa” vamos abordar hoje o conceito de “taxa de oportunidade”.

Relembrando conceitos já abordados, na parte 2, definimos que “o valor de uma empresa pode ser definido pelo somatórios dos seus fluxos de caixa futuros, descontados a uma determinada taxa”. Essa taxa pode ser chamada de taxa ou custo de oportunidade.

O custo de oportunidade é um termo usado na economia para indicar o custo de algo em termos de uma oportunidade renunciada, ou seja, o custo, até mesmo social, causado pela renúncia do ente econômico, bem como os benefícios que poderiam ser obtidos a partir desta oportunidade renunciada ou, ainda, a mais alta renda gerada em alguma aplicação alternativa.

Em outras palavras: O custo de oportunidade representa o valor associado a melhor alternativa não escolhida. Ao se tomar determinada escolha, deixa-se de lado as demais possibilidades, pois são excludentes, (escolher uma é recusar outras). À alternativa escolhida, associa-se como "custo de oportunidade" o maior benefício NÃO obtido das possibilidades NÃO escolhidas, isto é, "a escolha de determinada opção impede o usufruto dos benefícios que as outras opções poderiam proporcionar". O mais alto valor associado aos benefícios não escolhidos, pode ser entendido como um custo da opção escolhida, custo chamado "de oportunidade".

Um investidor que possua R$100.000,00 aplicados em um fundo mercado financeiro a 6% a.a. tende a não aceitar uma taxa igual ou inferior a esta de qualquer outro investimento. Dependendo do risco e de outros fatores pessoais, ele aceitará abrir mão da remuneração que o banco lhe paga apenas por uma taxa superior.

Por outro lado um empresário que decide vender sua empresa para aplicar o dinheiro a mesma taxa de 6% a.a., apenas tende a faze-lo se considerar que seu retorno com o negócio atual é inferior a remuneração do mercado financeiro.

Surge mais uma vez uma questão fundamental para a avaliação de um investimento: o “valor” é algo pessoal, atrelado as necessidades da pessoa que se utilizará dela. A taxa do comprador, de uma maneira geral, sempre é diferente da taxa do vendedor.

Por hora encerramos o assunto avaliação de empresas. Sintam-se a vontade para comentar qualquer dos posts sobre o assunto e ainda, a entrar em contato. É importante salientar que o caso estudado nesta série de artigos não é aplicável em 100% dos casos e casos particulares serão abordados com o tempo.

Obrigado pela atenção e bons negócios.

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Quanto vale a sua empresa ? Parte 2.

Antes de prosseguirmos tentando entender o processo de avaliação de uma empresa, temos que parar um momento para falar sobre um assunto assustador para muitos: matemática. Vamos explicar um pouco sobre a noção do valor do dinheiro no tempo e as implicações disso no chamado Fluxo de Caixa Descontado.

Vamos tentar simplificar tudo e imaginar uma empresa no seu último ano de vida. No final do exercício, ela terá apurado R$1.000,00 de lucro e será fechada, não existindo mais nada a pagar nem a receber por ela. Quanto vale esta empresa ?

Bem, temos uma receita de R$1000,00 que poderá ser utilizada pelo proprietário da empresa em 31/12. Mas, quando avaliamos esta empresa 30 dias antes do seu fechamento, os mesmos R$1000,00 tem de ser descontados a uma determinada taxa. Se consideramos como justa uma taxa de 1% ao mês, no momento da avaliação ela valerá R$990,00. Correto ?

Se você concordou comigo até aqui, já deve imaginar que o valor de uma empresa pode ser definido pelo somatórios dos seus fluxos de caixa futuros, descontados a uma determinada taxa.

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Nesse ponto, surgem dois problemas a serem considerados. Como estimar os retornos futuros e qual taxa utilizar. Mas isso fica para os próximos artigos.

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Quanto vale a sua empresa ?

O conceito de valor tem sido investigado e conceituado em diferentes áreas do conhecimento. A abordagem filosófica descreve-o como nem totalmente subjetivo, nem totalmente objetivo, mas como algo determinado pela interação entre o sujeito e o objeto.

Nas ciências econômicas, a noção de valor tem uma interpretação predominantemente material. De uma maneira mais ampla, atribuímos valor em função da necessidade ou benefício do objeto a ser valorado.

Ambas as abordagens então consideram que o valor é personalíssimo, e não pode ser atribuído senão em função de um determinado sujeito.

Existe um exemplo muito antigo para esse conceito mas que até hoje ilustra muito bem o assunto. Quanto vale um copo de água para você hoje ? Devemos concordar que se você esta na internet lendo este artigo muito provavelmente já tem as suas necessidades mais básicas satisfeitas e que existe água em abundância ao seu alcance. Portanto um copo de água vale pouco mais do que nada. Agora imagine-se no deserto e que esta mesma porção de água é a diferença entre a vida e a morte para você.

Claro que no mundo real não trabalhamos diretamente com eventos extremos como o do exemplo, mas tenho certeza que você já deve ter imaginado que o valor da sua empresa para você é diferente do valor que ela terá para o comprador.

Esses e outros pontos acerca do valor das empresas serão tratados nos próximos artigos dessa série.

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