Quanto vale a sua empresa ? Parte 3.

Nos dois últimos artigos, compreendemos que uma empresa, de modo geral, vale o quanto ela puder oferecer de retornos para seus proprietários no futuro. Apoiada nesta premissa está um método consagrado de avaliação de empresas e projetos chamado fluxo de caixa descontado, que é adequado a um grande número de situações reais.

Estimar fluxos de caixa futuros é um dos desafios para determinarmos o valor de uma empresa, e é sobre isto que trata esta terceira parte da série.

O fluxo de caixa de uma empresa é impactado por uma série de fatores, tanto intrínsecos quanto extrínsecos. Como podemos observar na tabela a seguir, os fatores intrínsecos são aqueles que, em maior ou menor grau, são gerenciáveis pela empresa enquanto os extrínsecos são totalmente externos sua vontade, e referem-se a um contexto macroeconômico.

Fatores intrínsecos

  • expansão das vendas, impactando nos volumes de compras e custos operacionais;
  • prazo de vendas concedido com parte da estratégia de vendas;
  • estrutura de capital e nível de endividamento;
  • volume de estoques;
  • gap entre contas a pagar e a receber em decorrência dos prazos médios de recebimento e pagamento;
  • tamanho dos ciclos de produção;
  • velocidade do giro do estoque;
  • ocupação do ativo fixo;
  • nível de inadimplência.

Fatores extrínsecos

  • níveis de atividade da economia;
  • taxa de cambio;
  • taxa de juros;
  • concorrência impactando margens de lucro e volume de vendas;
  • alíquotas de impostos seja tributos sobre a venda interna como sobre a importação de produtos concorrentes.

Quando se estima os resultados futuros de uma empresa, não é possível prever todas essas variáveis, mas devemos poder avaliar os impactos de diferentes cenários positivos ou negativos nas suas atividades. Além disto podemos estimar, considerando o panorama do setor onde a empresa atua e da economia em geral, qual a tendência dos retornos.

Vamos fazer uma análise bem simplificada e imaginar que a Empresa X teve seus resultados de 2000 a 2008 conforme o gráfico abaixo. Caso não existam mudanças no ambiente interno/externo, há de se esperar que a empresa mantenha os resultados, na média, nos mesmos níveis dos anos anteriores, sendo este o Cenário A.

Retornos - Empresa X

Continuando a análise, podemos criar um cenário fortemente desfavorável a empresa, prevendo a deterioração de um ou mais dos fatores intrínsecos e/ou extrínsecos que afetam o seu resultado. Este cenário, fortemente pessimista, vemos representado no gráfico acima como Cenário B. Da mesma forma, podemos considerar como possível que os mesmos fatores influentes no resultado da empresa tenha desempenho melhor nos anos futuros do que tiveram até o presente e assim influenciar positivamente os resultados da nossa empresa fictícia. No gráfico acima, chamamos esse cenário notadamente otimista de Cenário C.

Estimativas mais apuradas podem ser feitas utilizando ferramentas estatísticas e econométricas, mas de maneira alguma podemos prescindir de uma boa análise do mercado e conhecimento das características da empresa.

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