Archive forNovember, 2009

Quanto vale a sua empresa ? Parte 3.

Nos dois últimos artigos, compreendemos que uma empresa, de modo geral, vale o quanto ela puder oferecer de retornos para seus proprietários no futuro. Apoiada nesta premissa está um método consagrado de avaliação de empresas e projetos chamado fluxo de caixa descontado, que é adequado a um grande número de situações reais.

Estimar fluxos de caixa futuros é um dos desafios para determinarmos o valor de uma empresa, e é sobre isto que trata esta terceira parte da série.

O fluxo de caixa de uma empresa é impactado por uma série de fatores, tanto intrínsecos quanto extrínsecos. Como podemos observar na tabela a seguir, os fatores intrínsecos são aqueles que, em maior ou menor grau, são gerenciáveis pela empresa enquanto os extrínsecos são totalmente externos sua vontade, e referem-se a um contexto macroeconômico.

Fatores intrínsecos

  • expansão das vendas, impactando nos volumes de compras e custos operacionais;
  • prazo de vendas concedido com parte da estratégia de vendas;
  • estrutura de capital e nível de endividamento;
  • volume de estoques;
  • gap entre contas a pagar e a receber em decorrência dos prazos médios de recebimento e pagamento;
  • tamanho dos ciclos de produção;
  • velocidade do giro do estoque;
  • ocupação do ativo fixo;
  • nível de inadimplência.

Fatores extrínsecos

  • níveis de atividade da economia;
  • taxa de cambio;
  • taxa de juros;
  • concorrência impactando margens de lucro e volume de vendas;
  • alíquotas de impostos seja tributos sobre a venda interna como sobre a importação de produtos concorrentes.

Quando se estima os resultados futuros de uma empresa, não é possível prever todas essas variáveis, mas devemos poder avaliar os impactos de diferentes cenários positivos ou negativos nas suas atividades. Além disto podemos estimar, considerando o panorama do setor onde a empresa atua e da economia em geral, qual a tendência dos retornos.

Vamos fazer uma análise bem simplificada e imaginar que a Empresa X teve seus resultados de 2000 a 2008 conforme o gráfico abaixo. Caso não existam mudanças no ambiente interno/externo, há de se esperar que a empresa mantenha os resultados, na média, nos mesmos níveis dos anos anteriores, sendo este o Cenário A.

Retornos - Empresa X

Continuando a análise, podemos criar um cenário fortemente desfavorável a empresa, prevendo a deterioração de um ou mais dos fatores intrínsecos e/ou extrínsecos que afetam o seu resultado. Este cenário, fortemente pessimista, vemos representado no gráfico acima como Cenário B. Da mesma forma, podemos considerar como possível que os mesmos fatores influentes no resultado da empresa tenha desempenho melhor nos anos futuros do que tiveram até o presente e assim influenciar positivamente os resultados da nossa empresa fictícia. No gráfico acima, chamamos esse cenário notadamente otimista de Cenário C.

Estimativas mais apuradas podem ser feitas utilizando ferramentas estatísticas e econométricas, mas de maneira alguma podemos prescindir de uma boa análise do mercado e conhecimento das características da empresa.

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FGV oferece cursos gratuitos online

Apesar de existirem diversas ações capazes de mitigar os riscos da atividade empresarial, nenhuma delas é mais efetiva que o treinamento e o aperfeiçoamento do empreendedor e de seus colaboradores.

Pois a Fundação Getúlio Vargas – uma das mais prestigiosas instituições de ensino do país – é a primeira instituição brasileira a ser membro do OCWC (Open Course Ware Consortium), o consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem conteúdos e materiais didáticos de graça pela internet.

A lista de cursos ainda é pequena, mas de assuntos bastante relevantes e em alguns casos totalmente inéditos em cursos a distância. Por exemplo, o material que encontrei sobre Balanced Scorecard parece bem completo e profundo o suficiente para um primeiro contato com o assunto.

E se você trabalha na com treinamento e realiza cursos em áreas ligadas a Administração de Empresas, envie para nós que teremos prazer de divulgar.

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Quanto vale a sua empresa ? Parte 2.

Antes de prosseguirmos tentando entender o processo de avaliação de uma empresa, temos que parar um momento para falar sobre um assunto assustador para muitos: matemática. Vamos explicar um pouco sobre a noção do valor do dinheiro no tempo e as implicações disso no chamado Fluxo de Caixa Descontado.

Vamos tentar simplificar tudo e imaginar uma empresa no seu último ano de vida. No final do exercício, ela terá apurado R$1.000,00 de lucro e será fechada, não existindo mais nada a pagar nem a receber por ela. Quanto vale esta empresa ?

Bem, temos uma receita de R$1000,00 que poderá ser utilizada pelo proprietário da empresa em 31/12. Mas, quando avaliamos esta empresa 30 dias antes do seu fechamento, os mesmos R$1000,00 tem de ser descontados a uma determinada taxa. Se consideramos como justa uma taxa de 1% ao mês, no momento da avaliação ela valerá R$990,00. Correto ?

Se você concordou comigo até aqui, já deve imaginar que o valor de uma empresa pode ser definido pelo somatórios dos seus fluxos de caixa futuros, descontados a uma determinada taxa.

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Nesse ponto, surgem dois problemas a serem considerados. Como estimar os retornos futuros e qual taxa utilizar. Mas isso fica para os próximos artigos.

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Quanto vale a sua empresa ?

O conceito de valor tem sido investigado e conceituado em diferentes áreas do conhecimento. A abordagem filosófica descreve-o como nem totalmente subjetivo, nem totalmente objetivo, mas como algo determinado pela interação entre o sujeito e o objeto.

Nas ciências econômicas, a noção de valor tem uma interpretação predominantemente material. De uma maneira mais ampla, atribuímos valor em função da necessidade ou benefício do objeto a ser valorado.

Ambas as abordagens então consideram que o valor é personalíssimo, e não pode ser atribuído senão em função de um determinado sujeito.

Existe um exemplo muito antigo para esse conceito mas que até hoje ilustra muito bem o assunto. Quanto vale um copo de água para você hoje ? Devemos concordar que se você esta na internet lendo este artigo muito provavelmente já tem as suas necessidades mais básicas satisfeitas e que existe água em abundância ao seu alcance. Portanto um copo de água vale pouco mais do que nada. Agora imagine-se no deserto e que esta mesma porção de água é a diferença entre a vida e a morte para você.

Claro que no mundo real não trabalhamos diretamente com eventos extremos como o do exemplo, mas tenho certeza que você já deve ter imaginado que o valor da sua empresa para você é diferente do valor que ela terá para o comprador.

Esses e outros pontos acerca do valor das empresas serão tratados nos próximos artigos dessa série.

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